sexta-feira, 6 de maio de 2011
No Requiem
O caso aqui não é de escolha, o trágico aqui é que Bin Laden não poderia ter um outro destino. Como um refém dos próprios atos ele era um morto em vida e sabia disso. Um tribunal internacional, como queria Forastieri, não teria competência jurisdicional para julgá-lo, ele não era um criminoso de guerra. Não havia guerra, não havia o confronto entre unidades políticas reconhecidas internacionalmente. Havia a tentativa de extinção de um modus de vida por um lado, e uma reação igualmente violenta do outro. O Partisan, o guerrilheiro, o terrorista, não é um soldado, não responde a nenhuma pátria, não age sob nenhum pálio de legitimidade a não ser a própria crença de que faz o melhor para seu povo, o que impede que seja julgado por um tribunal fundado para lidar com crimes de guerra. O fim das guerras de conquista tradicionais abriu espaço para esse tipo de massacre que Osama impetrou, e a pseudo religião da humanidade cria a ilusão de que um processo, um julgamento e procedimentos públicos seriam a forma ocidental de lidar com isso e resolver o problema ao mesmo tempo que se mostraria superioridade. Falácia purinha, dos que acham que política é mera administração de finanças públicas, que todos merecem o mesmo tratamento, mesmo os que lançam aviões contra civis, que tudo se resolve pela lei e pela constituição. Bom, no mundo real não. Com a vitória do conceito de humanidade, os inimigos que existem se tornam inimigos da humanidade, desumanos, e a eles somente o trato desumano pode ferir. O lado fundamentalista do islã pensa assim, ao tentar desmoralizar o ocidente como "o grande Satã", o lado fundamentalista ocidental também pensa assim, ao identificar esse fundamentalismo como "o Mal", nas palavras do incompetente George W. Bush. O terrorista é "o Mal", não é só um inimigo, e por isso qualquer método contra ele se justificaria, o americano é o "grande Satã", também não é só um inimigo, e a vitória sobre ele passa necessariamente pela humilhação e o massacre. Aqui não cabem processos, direitos e garantias, não é um caso jurídico, é político, e político em seu sentido mais existencial, na sua inevitabilidade. Mais do que necessária, a ação americana contra Osama Bin Laden foi inevitável. Ele pairava sobre as jurisdições e poderes constituídos como um espectro, a lei e a ordem não chegavam até ele. As invasões americanas ao Iraque e ao Afeganistão merecem todo tipo de reprovação, ali, unidades políticas legitimadas (seja da forma que for) por seus povos foram desrespeitadas, mas o caso de Bin Laden não cabe nesse discurso humanista, não cabe na inércia liberal do vamos discutir e criar uma lei para resolver o caso. Como se uma prisão, advogados e um processo pudessem resgatar o resto de inocência que o mundo perdeu entre os escombros das torres gêmeas. Bin Laden tornou o mundo pior, Obama não é um herói com o poder de desfazer isso. Ter ordenado a morte do terrorista é admitir isso, heróis conseguem fazer mais do que é possível, Obama fez o que era possível fazer, nada mais. O trágico é que não havia escolha, não havia caminho, para nenhum dos lados. Beira a irresponsabilidade tentar lidar com esse caso como se fosse um crime de guerra, ou um crime na compreensão geral do termo. Tudo o que ocorreu transcende o direito, somente uma necessidade muito grande de se condenar a ação americana impede que se admita isso. Mas isso é próprio de falatórios, algo que mais pessoas além de mim deveriam tentar evitar.
sábado, 23 de abril de 2011
De todo o ardor à vista em linhas.
Eu sinto os efeitos de alguma substância que eu nunca usei, ou evitava usar (sim, um brinde a eles).
Nem náuseas, nem dores de cabeça, nem cansaço, no entanto, sim, um pouco disso tudo, mas de outra forma.
Cheiros que me deixam louca, me apavoram. Sinto que tudo está fechado. Acabado. Trilhado. Não há por aonde ir, só o que não fazer.
Ouço tudo o que não me dizem. Percebo cada toque, cada olhar. A boca que silencia, e os olhos que me insultam. Obrigada pela compreensão.
Já, há muito tempo, não me atormento com reação alguma. Me calo. Quieta. Imóvel. Quase inaudível presença.
Francamente, já não existe o que se procurar. Escondemos-nos por brincadeira, e nos esqueceram por interesse. Não nos procurarão, jamais.
Me escondi em um baú, velho. De que serviria um baú novo? Olho seus olhos. Desespero. Queremos sair ou queremos que nos tirem? Um ruído aparece no horizonte, e a gente sempre se esconde. Há tanto medo aqui dentro.
Tudo escuro e sintético, com o passar do tempo, mergulhado no esquecimento. Um feixe de tudo o que existe, e se mistura com tudo o que criaram, as algemas.
Da inconstância das palavras que não ouso, das idéias que não combinam. Sugando qualquer coisa que faça sentido, dentro de um muro que apenas quem jamais esteve lá fora pôde ver, tento apenas seguir.
Frases sem nexo e capítulos que jamais se encontram, te tomo assim, um som que não se traduz.
terça-feira, 29 de março de 2011
Velho perdido juvenil
Gratidão que vai sendo removida pela realidade que confronta os possíveis sonhos da modernidade. Há uma necessidade vital de que algo mude. Uma prece em silêncio para que alguém, em algum lugar da terra, saiba não só as respostas, mas que também saiba ensinar ao mundo coisas tão óbvias e ao mesmo tempo tão paralisantes.
Quem sabe uma cartilha universal esteja sendo preparada por quem conseguirá nos fazer entender todo seu desespero e angústia; e não só mais um indesejado livro de auto-ajuda. Uma cartilha revolucionária que diga, e consiga convencer todos os jovens a aproveitarem bem o tempo em que toda esta energia sai pelos poros e quer desbravar o mundo. Que fique bem claro que sim, ela acaba. Mas não é tão desesperador perdê-la. Desesperador é saber que poderiam ter aproveitado toda esta vitalidade pra quando a perdessem e não o fizeram. Uma cartilha que diga pra aproveitar que são capazes de fazer todas as coisas do mundo agora. Mesmo surtando, mesmo enlouquecendo; eles conseguem! No auge de suas incertezas, suas dúvidas mais mesquinhas; pedem sabedoria e não têm toda, e terão só quando já não tiver mais a tal energia da qual estamos falando. Quando esta energia for difícil, quando for preciso batalhar e muito pra encontrá-la em algum canto. A vida será injusta e o tempo é traiçoeiro assim, não há atalhos. Ensinem que aproveitem esta coisa devastadora que é a juventude e façam o máximo de coisas que conseguirem nesta explosão de emoções e desejos assustadores. Que não cometam o engano fatal de desistir de tudo por não saber o que fazer, ou por acreditarem que a inconsequência da juventude se resume a experimentar algumas drogas. Que aprendam a engolir o mundo, comer o mundo, e quando as suas energias acabarem, eles terão toda a sabedoria pra aproveitar o que esta energia deixou.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Os refúgios da arte
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Pulso
Sempre que eu puder, vou trazer convidados para este espaço. É um modo muito saudável de manter a chama acesa. Dessa vez, quem fez a gentileza de escrever um texto especialmente para nós é a jovem Thaís de Caux. Ela se apresenta ao final do texto. Comentem!
"Pulso"
por Thaís de Caux
Por mais estranho que pareça, estuda Farmácia.
Quando quer cuspir algo de dentro dela, é pra lá que vai:
www.decauxthaisr.blogspot.com
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Trago escondido
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Cafeteria
Continuando a série de textos de convidados, nosso chapa Michel Gomes escreveu, a meu convite, um texto especial para nossa Marmita Filosófica. Como de praxe, ele se apresenta no final. Curta aí esta "Cafeteria" que não é café pequeno!
Michel Gomes, de profissão, trabalha desenvolvendo projetos de interiores e móveis. De coração, quer mesmo é escrever enquanto o mundo desaba ao seu redor. Traduzir em palavras o que certas pessoas nem conseguem imaginar.Links do autor:
A ferrugem está na moda
Projeto Polaroid