segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A química nossa de cada dia

A história contada não é nada mais que uma viagem completamente inverossímil. Mas é um bom pretexto para apresentar "Everyday Chemistry", coleção de mashups de canções das carreiras-solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, compiladas como se fossem gravações inéditas dos Beatles. Segundo nos conta o sujeito que adota o nome fictício de James Richards, ele passeava de carro pelo deserto com seu cão. Ao fazer uma parada no acostamento, acaba sofrendo um acidente, pisando em falso no que parecia ser uma toca de coelho e batendo a cabeça. Segundo ele, acorda em uma casa, para onde foi levado por um homem que diz se chamar Jonas, e que diz viver em um mundo paralelo. Pra encurtar esta história, neste mundo paralelo, os Beatles ainda tocam juntos. Inclusive George e John estão vivos. Jonas mostra a ele gravações "inéditas" do quarteto. Impedido pelo tal sujeito de outra dimensão a levar a fita, Richards acaba surrupiando uma delas. De volta ao mundo real, apresenta então esta gravação através do site "The Beatles Never Broke Up", além de contar a absurda história. Enfim...
Trazendo a história para o mundo real (de verdade), o tal "Everyday Chemistry" não parece eficaz em mostrar uma hipótese do que poderia vir a ser um disco dos Beatles se eles continuassem juntos. Principalmente pela bateria eletrônica que permeia as gravações, o que talvez fosse necessário para fazer com que as colagens ficassem coesas. Como curiosidade, é extremamente interessante. Mas é só. Pra quem deseja conhecer, basta baixar o álbum completo aqui. De cara, logo na primeira canção, "Four Guys", dá pra sacar as misturas de canções da carreira-solo de Paul McCartney (maioria no disco), principalmente "Band on the run".


Seja como for, vale conhecer.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A trilha sonora de um mundo que não existe mais...


Humberto Gessinger é um cara que ainda escreve canções. Ele é o sobrevivente de uma época estranha, em que as pessoas esperavam que os artistas dissessem algo através de sua arte e muitas vezes esses artistas acreditavam que isso era possível. Se a obra dos Engenheiros tivesse aparecido na década de 60 em um país menos tropical talvez não tivesse passado por toda sorte de vilipêndios que enfrentou. Na melhor das hipóteses Gessinger pode ser classificado como um atavismo que superou as tentações fulgurantes das mudanças e adaptações à moda justamente por se dedicar a algo incrivelmente anacrônico: escrever canções. Muitos já estão pensando nesse momento: "mas, um monte de gente ainda escreve canções!" Será mesmo?

A canção popular é um fenômeno cultural da modernidade. Não é de se assustar que o fim da era moderna, o qual atravessamos desde o final os 60's, ameace de extinção a canção. O paradigma em que ela nasceu e surfou quase soberana por tanto tempo não mais existe. A produção enlouquecida de música eletrônica (que não segue o padrão de uma canção) é prova disso. A canção se torna a exceção dentro de uma regra que prega a repetição, o barulho, o caótico. Muitos "artistas" que pretendem trabalhar canções vendem uma outra coisa, um estilo, uma festinha, um rostinho bonito, e a canção é só um brinde. Para um público que não sabe ouvir, "artistas" que não sabem compor ou tocar. O melhor e mais mastigado exemplo são as bandas emo, mas podemos colocar no mesmo balaio o Capital Inicial, os Titãs, as bandas de festa 'ploc', e toda essa farra do boi em que se transformou a música brasileira.

Essa realidade só torna o trabalho do cancioneiro uma anacronia ainda maior. Talvez seja a primeira sensação que nos acomete quando ouvimos o trabalho de Gessinger e seu parceiro, Duca Leindecker, no projeto chamado Pouca Vogal. Quando o duo liberou suas oito canções inéditas e semi-acústicas no seu site havia algo ali que chocava. O que chocava era a distância monumental do barulho, da bagunça, da gritaria e do baticundum fake que permeia 99 em cada 100 trabalhos musicais lançados hoje. Mas somente assistindo ao DVD que essa impressão se decantou e confirmou. Tudo é sofisticadamente simples, menor, singelo. Apesar de se multiplicarem sobre múltiplos instrumentos e bugingangas, nada é exagerado, nada é além da medida, nada é falsificado. Mas o que impressiona mesmo é o fato das canções funcionarem num mundo em que ninguém mais liga pra canções. Podemos ignorar isso, mas é assustadoramente sintomático que os Beatles continuem na mídia mas que pouco se fale sobre as canções que fizeram juntos. Isso explica também o fato de que Lennon, obviamente o beatle com a vida mais impressionante, tenha uma presença midiática mais forte que os demais membros da banda.

Outro fato sintomático é a incapacidade latente dos "músicos" populares de hoje de falarem sobre música. Tudo é falado, narrado, investigado, da cor do esmalte à quantidade de obturações dentais do dito cujo, mas todos são incapazes de falar sobre música, sobre o que é legal ou não, sobre quais as pretensões artísticas, timbres, letras, etc. O melhor exemplo de diletância vazia são as entrevistas do Marcelo Camelo. Poucas pessoas tem aquele talento para falar, falar, falar e nada dizer. Até o "hã?" de sua namorada adolescente, Mallu Magalhães, é mais profundo que tudo o que o Camelo acha que diz.

Mas estávamos falando de músicos sérios. Quem estiver procurando um disco de rock nos moldes tradicionais deve passar longe do Pouca Vogal. Quem quiser algo revolucionário e avant garde, também. Não temos excessos e firulas, nem ôêôs com a platéia. Não temos guitarras quebradas no palco, nem carinhas de tesão fake pra impressionar as menininhas. Ao invés disso Gessinger & Leindecker nos dão canções, boas canções. Em tempos de arte vazia e megalomaníaca, em que tudo é purpurina e falação, isso é uma grande coisa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Praticamente nada

O seu orientador dava os últimos detalhes na beira do palco do auditório da universidade, onde dali a poucos minutos ele apresentaria a defesa de sua tese de doutorado. Foram anos de pesquisa. Anos bem vividos? Não tinha tanta certeza. Mas estava ali. Seu casamento resistira, embora as horas na frente do computador, entre pesquisas e redação tomassem de si o tempo necessário para carinhos e obrigações conjugais. Olhou para a platéia, localizou sua esposa na terceira fila. Ela não gostava de ficar logo na frente, não apreciava exposição excessiva. Mas estava com ele, sempre o apoiando. Deu um sorriso, e ela retribuiu. Lembraria desse sorriso e choraria mais tarde, emocionado. O orientador continuava a falar, tal qual um treinador dando orientações a um boxeador. Pensou na analogia que acabara de fazer, julgou ser mesmo semelhante sua situação com a de um lutador prestes a entrar no ringue. A banca examinadora posicionada, como os juízes de uma luta. O adversário? Sua própria consciência, talvez. Ou a sociedade. Como encarariam a tese que ele iria defender? Achariam absurda e descartariam a utilidade prática daquele trabalho? Nesse caso, como ficaria seu orientador? Tomaria partido ou lavaria as mãos? Absorto em suas divagações, nem ouviu as últimas recomendações de seu mestre/treinador. Era o momento de subir ao palco e defender sua tese. Estava bem alinhado, o terno comprado especialmente para o evento, capricho de sua esposa, já que mal tinha tempo e senso para escolher a roupa que vestiria. Apresentado, era a sua vez. Cumprimentou a banca, deu boa noite aos convidados e se preparou para falar. Não se lembrava de uma palavra dita pelo orientador, nem mesmo do que ensaiara antes de chegar. Acionou a apresentação do PowerPoint e tentou começar. As palavras não saíram. Começou a suar. Olhou novamente para a terceira fila da platéia, buscou forças e resolveu falar o que seu coração pedia:


“Senhoras e senhores, este trabalho é fruto de alguns dos anos mais solitários de minha vida. Os anos que passei dormindo mal, me alimentando de forma errada e automática. Nestes anos, não pude diferenciar o clima, não sabia se chovia ou se fazia sol, exceto pelos dias em que fui obrigado a ir a campo, atirando no escuro para comprovar algo que nem mesmo sei se é verdadeiro. Senhores, façamos um exercício de imaginação. O que vale mais para um leigo? Saber o motivo daquele tom alaranjado no céu ao amanhecer, ou apreciar a bela cena ao lado de alguém de quem gosta? Entendam: não estou aqui querendo desmerecer o trabalho dos cientistas, tudo isto diz mais respeito a mim do que a eles. Entendo hoje que desperdicei alguns bons momentos a troco de algo que nunca usarei em minha vida prática. Mais do que isso: limitado às minhas pesquisas, não tive jamais uma vida prática. Sei menos do que um operário, não nego. Fico aqui a pensar o quanto sou capaz de transmitir aos meus futuros pupilos, e o quão importante será para eles os ensinamentos que eu julgava importantes até uma hora atrás. Senhores, tenho que confessar: este meu "surto", minha “ficha caindo”, se devem exclusivamente a um sorriso na terceira fila. O sorriso de quem nunca deixou de acreditar que eu fosse estar aqui. O sorriso de quem, mesmo querendo que eu estivesse por perto, vendo as folhas caírem no outono, nunca foi capaz de me cobrar. E hoje estou aqui. Apresentando o resultado da minha reclusão. Do meu desligamento do mundo. Para quê? Não sei. Não sei. Pra satisfazer meu ego, talvez. Pra satisfazer aos requisitos do mercado de trabalho, o mais provável. Fato é que eu não queria estar aqui. Não tenho talento pra enganar ninguém. Talvez ainda haja tempo de recuperar o que deixei para trás. Quem quiser saber de mim, me procure na beira de um lago qualquer. Ou numa praia deserta. Ou num sítio, sentado numa pedra, observando as formigas carregarem folhas num dia de verão. Pensando melhor, não me procurem. Vão vocês também procurar o que fazer, ao invés de ficarem trancados dentro de si mesmos, fingindo saber o que não sabem, fingindo que têm talento para avaliar o que não pode ser avaliado. Desculpem por fazê-los perder tempo comigo".

Dito isso, se retirou. Não esperou para saber sua nota (a banca lhe daria um 10, não fosse sua apresentação petulante, alguém diria depois). Correu para a terceira fila. Lá, aqueles mesmos olhos que o observavam estavam atônitos. Mesmo assim, havia um ar de admiração naqueles olhos. E além dele, estes olhos não viam mais ninguém. Saíram apressados. Um silêncio constrangedor tomava conta do ambiente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Reflexo do terror

Mulher de meia idade, cabelos grisalhos e um vestido habitual cinza andando pelas ruas. Deserta de si e dos outros. Não era necessário descrevê-la assim, pois escondia a idade física envolvendo-se em cotidianos que a denunciavam e forçava esta falsa segurança do saber no tom autoritário que as cores de sua roupa traduziam. Usava um véu invisível na vergonha de declarar sua viuvez. Era possível enxergar em seu olhar que era viúva de todos os seus ex-casamentos. Viúva de qualquer emoção. Deixou pra trás todos os resquícios de prazer e felicidade que sentiu em algum momento da vida, dando espaço àquela amargura passiva que a tornava cruel. Uma mulher sem um nome que fosse possível lembrar, mas que deixou marcado seu rosto nos dias de tortura para com aquela criança inofensiva, que mantinha num galpão em espécie de abandono. Ainda que escondesse, era audível e nítido o que conversavam, porque um eco trazia todo aquele segredo para direções confortáveis, observadoras e palpiteiras. A viúva de dedos apontados indicando a direção e empinando o nariz como se soubesse de tudo, e acreditava saber. A menina chorava as feridas que doíam e a mulher a condenava pelos erros, julgava sem piedade e dizia ter compaixão; provava dando ouvidos aos lamentos da pobre criança que gemia seu sangue escorrendo dentro da pele pálida de dor. Havia em sua dor futura toda a certeza, enquanto a velha duvidava da sua, doía no passado e substituía suas perdas por pequenas doses de felicidade ao constatar que a pequena criança também chorava pelos mesmos desprazeres. Foi tomada pela suposta razão ressentida, dominada por um ódio que de tão gigante era irreconhecível. Abraçava a menina carente e dizia: "veja seus vizinhos, você tem vizinhos!" Com os cachos dos cabelos desfeitos pelas lágrimas que grudavam nos fios sem que ela percebesse, a pequena inocente que seguia seu coração, e só por isso tinha dúvidas e medos ao encontrar dificuldades, ao considerar seus vizinhos, deparava-se mais uma vez com a solidão que havia escolhido para si. Precisava ouvir a voz daquela experiente dona para se auto-afirmar e ter certeza das coisas certas a fazer, mas nunca se entendiam. Nunca era possível convencer a idade que, apesar dos seus machucados que a confundiam, sabia que não terminaria igual à velha se seguisse o que era necessário para si. Uma imensidão de palavras que perturbam davam razão a sua incontrolável sede de viver cada segundo de todas aquelas estranhezas que invadiam sua vida sem licença. Entre os lençóis sujos de sangue que ela secava e limpava as feridas, soluçou brandamente. Apesar de toda força e coragem que havia dentro da menina desamparada, ela não sabia disso, e dava esta certeza a cada vez que lamuriava seus sons de cinza para a voz da experiência que encontrava na construção da rua que escolhera como seu refúgio. Por um instante bobo, refletiu e concluiu que nunca chamara pela velha em seus mais profundos desesperos. Ela sempre aparecia por acaso. Acordou, como num pesadelo, apressadamente voltou à construção que nunca acabaram e ela nunca mais teve notícias. Sem querer pisou na poça de água que a chuva havia deixado de lembrança e olhou de súbito, seu reflexo na água não poderia ser mais monstruoso e fazer doer tanto de uma forma tão mais intensa que todas as suas anteriores feridas, todas juntas. O reflexo era o juíz de sua sentença e seu maior pecado era ter se condenado ao próprio inferno de si mesma. A imagem que aparecia acabava de ficar viúva mais uma vez, apesar de ainda não saber disso. Disparou no impulso de seus passos largos e correu. Correu o mais rápido que pôde. Correu rumo ao nada, ao desconhecido. Correu até seus pés sumirem no tempo e ela não mais enxergar qualquer rastro que reconhecesse aquela revelação. Não aceitava esta verdade mórbida. Não aceitava a ruína de todas as feridas mal-curadas da viúva de emoções que tirava dela a maior revolução de sua vida: seu pacto com o silêncio e a solidão apropriada - sua liberdade. A menina agora tinha asas que nenhuma viúva cinza poderia alcançar e alçava vôo a partir de agora sem nenhuma resposta. Quando sua dor foi substituída por um alívio, a menina que encontrava-se perdida e cheia de dúvidas, tirou os traços tristes do olhar, sorriu da própria ironia e sussurrou ao vento: - "melhor assim..."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"(...) e nossas vidas são tão normais..."


Já havia algum tempo que eu tinha vontade de assistir "A Onda", filme alemão em cartaz em São Paulo, no momento em que escrevo este texto. O filme conta a história do professor secundário Rainer Wenger, que encontra dificuldades para explicar aos alunos como o fascismo se disseminou. Ao ouvir de um aluno que dificilmente um regime semelhante ao nazismo daria certo nos dias de hoje, porque a cultura das pessoas era melhor, Wenger resolve simular em classe um sistema. Para isso, usa as ferramentas básicas do nazismo: palavras de ordem, disciplina, logotipos e até uma saudação. O erro do professor, no entanto, foi achar que conhecia a mecânica e a métrica de controle de um regime totalitarista. Projetado para durar uma semana dentro dos limites da sala de aula, o movimento acabou tomando as ruas, acumulando em suas fileiras alguns jovens que não faziam parte da turma (inclusive algumas crianças). Adesivos e pichações tomam as ruas da cidade. Os "uniformes", calça jeans e camisa branca, propostos pelo professor, ganham o emblema do movimento. Tudo toma proporção exagerada. Quando um aluno fanático passa a seguí-lo, e quando pessoas mais sensatas começam a questionar os métodos, Wenger, nitidamente entra em crise existencial, ora julgando que todos têm inveja de seu sucesso, ora caindo na real de que exagerou em seu plano. A todo momento, o filme denota que as consequências seriam irreversíveis.
"A onda" é baseado no livro homônimo de Morton Rhue, leitura obrigatória na maioria das escolas alemãs. Rhue, por sua vez, se baseou na história verídica ocorrida na Califórnia em 1967, quando o professor Ron Jones tentou explicar o nazismo a seus alunos, igualmente perdendo o controle da situação. A ficção é mais dura que a realidade neste caso, mas a prova de que não é impossível manipular um grupo em nome de um regime fica no ar. E "deixa gente ignorante fascinada".

sábado, 21 de novembro de 2009

Novo mojo single

A Lorena publicou no Mojo Books sua interpretação para Olha Maria, do Chico Buarque. Confiram o resultado aqui

sábado, 14 de novembro de 2009

Nada surpreende

Cada vez mais em compulsão se perpetua este jeito nada original de se render ao cotidiano. O mundo, o fantasma do que se espera dele que nos assombra, tudo isso conjugados conosco, invade uma contramão sem espaço pra duas vias, levando a um destino fatal. É a tecnologia com toda comodidade e estrutura cultural que pode proporcionar, de encontro com uma velocidade a qual somos incapazes de digerir. Paralelo a isso, esta mesma tecnologia deu voz a um universo populoso de pessoas que não sabiam que existiam e hoje têm voz pra convencer até a si mesmas de suas meias verdades. O que aparentemente supõe uma idéia de liberdade e incentivos para debates que contribuam para uma sociedade menos retroativa tem se mostrado uma cartilha de alienação. Há muito pouco tempo para dissecar uma informação, que ao explodir no meio a necessidade de ser tudo-ao-mesmo-tempo-agora, faz o novo virar clichê, repetitivo, desgastante e repulsivo. O surpreendente já não surpreende mais, e o comediante ainda assim faz piadas da surpresa, o jornalista ainda assim cria pautas sobre a surpresa, o cidadão comum ainda assim se adapta ou fica indignado com a surpresa. Surpresa morna, sem muito gosto, apática. Todo mundo quer ser formador de opinião, e se prestarem atenção, nem discutiram. Os presos aos princípios continuam presos, e os que ousam desafiar-se continuam dando murro em ponta de faca. A insanidade é que o raciocínio não tem a menor coerência na maioria das vezes. É como se o todo separasse sua essência em pequenos fragmentos descartáveis e brincasse de ser original. Arremete uma sensação de que ninguém sabe mais nada e está todo mundo perdido. Quer se fechar do mundo no vazio de si mesmo? Não se tranca mais a porta, fica offline. Qualquer forma de lutar por um ideal é louvável e deve ser admirada, mas quando se vê magia na história da humanidade, soa estranho que protestar seja sinônimo de personificar um acontecimento no avatar de qualquer site de relacionamento... Nada é dispensável se intenso até o fim, portanto, não há nenhuma tentativa de banalização do homem ou da máquina aqui presente. O que prevalece é o ponto de vista de que a ponte que liga este homem à máquina: o raciocínio, tem se deixado levar pela aparente falta de necessidade de conexão. E se este raciocínio não está ativo, nada faz sentido. Há uma linha muito tênue entre a incoerência e a contradição, e esta segunda é o caos necessário. Porque afinal, não existe ordem sem caos. Seguindo o raciocínio de Mario Quintana: quem não se contradiz, mente. Ser autêntico custa admitir erros sem precisar dizer, pois não há verdade sem equívoco. Ainda sim, ser autêntico continua sendo ter uma identidade mesmo que ela não signifique nada. Afinal, pra que ser alguma coisa, se ser algo tem sido ser coisa alguma?